Viagem de Metro
Mais cedo fui andar de metro na hora do ” Rush”, não foi passeio, na verdade tinha que ir ao dentista e a maneira mais rápida é o metro. A vantagem do metro, além da rapidez, ele não atrasa. A única diferença , é a forma que você ira viajar, esmagado ou não. O metro não atrasa, o que acontece, é a duvida, se você conseguirá entrar no vagão ou não.
Jurava que andar de metro era uma coisa fácil, eu não andava de metro há uns 5 anos, mas não lembrava que era esta selva. Vou contar para vocês tudo que pode acontecer em 1 hora dentro do metro do Rio de Janeiro.
Cheguei na entrada do metro as 18 horas. Imaginei que não deveria ter tanto movimento pois ia no sentido contrario ao centro , provavelmente as pessoas estavam vindo do centro da cidade. Engano meu, as pessoas na sua grande maioria estavam indo para o centro, para de lá pegar outro meio de transporte. As pessoas que vinham para Zona Sul utilizam seus próprios carros. Dancei, aquela pequena viagem prometia.
Para chegar as plataformas do metro, devem ter uns 2 quilômetros, peguei 2 escadas rolante, 2 esteiras rolante e mais uns 200 metros de caminhada, você já chega cansado.
Ao chegar na bilheteria, lembrei que possuía um cartão de metro com credito, só esqueci que já tiveram uns 4 aumentos desde minha ultima utilização , achei melhor não fazer vergonha e comprar de novo. Com 2 bilhetes na mão me encaminhei para a catraca e avistei 3 tipos, uma com um leitor, outra com um buraco menor na frente dela e outra sem nada. Para não fazer feio e perceberem que eu parecia um estrangeiro na própria cidade, fui na que possuía um leitor, passei diversas vezes meu cartão em um sensor localizado em cima da maquina e nada, neste instante já tinha umas sete pessoas me aguardando, comecei a ficar meio tenso e sai da maquina justificando: ” acabou o credito, acabou o credito”.
Já afastado da maquina, aguardei o pessoal que estava me esperando passar e me dirigi a segunda maquina, mas foi uma idiotice minha, pois o buraco desta maquina era infinitamente menor que o cartão em minha mão.
Já vermelho de vergonha e fingindo ser um estrangeiro, me dirigi a terceira e ultima maquina, fiquei um pouco distante dela aguardando alguém usa- lá, pois eu não havia avistado o lugar do cartão e não ia ficar passando a mão na maquina para acha-lo. Vieram na minha direção 2 italianos com o bilhete na mão, já imaginei – ” estes irão passar vergonha”-, que nada, foram direto para um buraco escondido na lateral da roleta e passaram direto. Pronto a vergonha foi completa e para piorar reparei que tinha um segurança do metro, que já devia estar me observando a muito tempo, que ria descaradamente, só parou quando olhei de cara feita.
Pronto, já na plataforma, ainda dentro do horário, me dirigi para a marcação pintada no chão que mostrava onde as pessoas embarcavam. Reparei que estava meio vazio onde eu estava e só tinha mulheres, olhei para a marcação no chão novamente e vi que era rosa, olhando mais atentamente vi que estava escrito meio apagado ” Vagão para Mulheres”, nossa, eu já ia passar vergonha novamente. Sai de fininho e me dirigi a outro ponto de embarque que a esta altura já tinha umas 20 pessoas para entrar, mas nada preocupante ainda.
Já em posição de embarque, enquanto aguardava o metro, acabei me perdendo nos meus pensamentos e rindo sozinho, pois havia comprado uma tampa de vazo sanitário e quase a trago comigo, achando que o metro estava vazio, imaginou pagando mico no metro e ainda com uma tampa de privada bege na mão? Voltei a realidade quando ouvi aquela buzina e as luzes do metro se aproximando.
Quando o metro parou e as portas se abriram as pessoas correram para dentro, eu não entendi o porque, pois tinha lugar para todo mundo, mas observando para onde elas correram entendi que era uma estratégia, pelo que estava por vir. Observando os pontos estratégicos que as pessoas estavam , já me posicionei na lateral esquerda do vagão, ao lado da porta, como diria meu sogro – em posição de fuga. Depois fui descobrir que estava no pior lugar possível.
Todos posicionados no vagão, em posição de fuga, embora ainda relativamente vazio, aguardávamos a próxima estação, o clima tenso no ar me lembrava os filmes de guerra, quando os soldados ficavam de patrulha aguardando o inimigo. De repente veio a voz do maquinista avisando a próxima estação, foi a visão do inferno, entendi a logística das posições escolhidas pelas pessoas, só não sabia ainda como estava mal posicionado.
Eu só sabia que era a próxima estação pelo aviso, pois eu não conseguia ver a estação, tinha tanta gente amontoada ali, só pensei com meus botões , não vai caber e ainda faltam 5 estações. Quando abriu a porta, todos os espaços vazios foram preenchidos em segundos, a temperatura do vagão subiu de 19 para 32 graus. Nas estações seguintes só entravam os magros, pois saiam 50 pessoas e tentavam entrar 200.
Nesta altura descobri como era ruim meu lugar, pois de cada 100 pessoas que entravam, eu era empurrado para mais longe da porta e pior, percebi que a porta de desembarque era do lado oposto onde eu estava, seria uma operação militar chegar lá a tempo até a próxima parada, que já era a minha.
Pior que eu , era uma mulher prensada ao meu lado, que era muito baixa, na altura do meu ombro, que alem de não enxergar nada, ficava colada com a cabeça nas axilas das pessoas mais altas a sua volta. Num certo momento, o vagão deu um tranco e ela ressabiada pediu para apoiar o braço ( curto) na parede do vagão, eu como perco o amigo mas não perco a piada brinquei – minha senhora do jeito que estamos prensados aqui, a senhora só cai se for por baixo. Pronto, ela não gostou da brincadeira que fiz para descontrair e fechou a cara. Como já estava chegando minha estação, já comecei o empurra, empurra, para chegar na porta oposta, estou falando de somente 4 metros de distancia. O estranho e inexplicável era que quanto mais eu tentava abrir passagem, mais gente aparecia.
Resumindo, perdi minha estação, quase perdi a seguinte também. Tive que dar a volta e pegar o metro do outro lado até a estação correta.
Bom, fica mais esta história, que apesar de cômica, é triste, pois eu passei por isso um dia, e a grande maioria da população vive isso todos os dias, seja no metro, nas barcas, nos trens ou nos ônibus, não esta certo, muito menos digno. Tenho esperanças que um dia a mãe, o pai ou os filhos destes governantes precisem usar o transporte publico e contem como esta precário.
Ele se divertiu com a minha desgraça. Como ele já havia se lamentado e se divertido a minhas custas, era minha hora de começar as lamentações. Contei a ele as dificuldades que estava sentindo em relação a educação do meu filho em casa e no colégio. Ele como psicólogo iria entender minhas preocupações.
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Precisamos contas as vitórias , mas as derrotas são importantes também . Que dia……
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