
Ser pai, por si só, já é um desafio.
A gente acha que, com o tempo, vai pegando o jeito. Que, depois do primeiro filho, já teremos aprendido como funciona — e aí, no segundo, tudo será mais fácil. Mas não é bem assim.
Na verdade, é como se a vida fosse um videogame…
E cada filho fosse um jogo completamente diferente.
As fases mudam. Os comandos são outros. A “jogabilidade” exige novas estratégias. O que funcionava com um, não faz nem cócegas no outro. O que fazia sentido com a filha, vira mal-entendido com o filho. E vice-versa.
Ser pai de menino, no meu caso, é querer ser o super-herói. O exemplo.
É mostrar que sou um ótimo jogador de futebol, que faço o melhor churrasco, que mando bem no videogame, que sou o pai amigo, parceiro — mas também firme, com valores claros e sólidos.
Afinal, nossa expectativa é que eles sejam a nossa melhor versão: que absorvam tudo de bom que pudermos ensinar e descartem os defeitos (e olha que temos muitos…).
Ser pai de menina é outra coisa.
O carinho e a proteção vêm de outro lugar. Ela é a princesinha, aparentemente frágil, meiga, desprotegida. Dá vontade de colocar num castelo e protegê-la do mundo.
Mas logo a gente entende: elas são fortes. E proteger demais, às vezes, não faz bem.
O desafio é encontrar esse equilíbrio.
Eu ouvi uma vez uma frase que nunca mais esqueci:
“Os filhos nos enxergam como super-heróis quando são pequenos. Quando crescem, percebem que não sabemos tudo. Na adolescência, acham que não sabemos nada. Mas, quando se tornam adultos, descobrem quanta coisa sabíamos — e quanto ainda tínhamos a ensinar e aprender.”
É isso.
Essa é a vida.
E a paternidade é um reflexo disso: imperfeita, intensa, cheia de tentativas — mas profundamente verdadeira.
Os dois te desafiam.
Os dois te ensinam.
E o mais bonito: os dois te completam, à sua maneira.
Cada filho ou filha é um universo novo.
E ser pai é estar disposto a explorar esse universo sem mapa, sem atalhos, mas com o coração aberto e presente.
E, principalmente, não se sentir culpado.
Faça o seu melhor. Sempre.
Durma tranquilo.
O resto… dependerá deles.
Ser pai é estar presente, mesmo quando não se tem todas as respostas.
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