Lugares e Pessoas · Viagens

🌴 Uma proposta indecente rumo a Saint Barths

As vezes acontem coisas inexplicaveis, vou contar para vocês como começou umas das viagens mais bacanas que fiz.

Era um fim de semana qualquer, próximo ao Carnaval, e encontrei por acaso um amigo de colégio que eu não via há anos.

Aqueles encontros casuais que não duram mais do que cinco minutos, mas que mudam o rumo da sua vida — ou pelo menos da sua semana. Ele sempre foi uma pessoa muito querida para mim, um grande amigo, mas que acabamos nos afastando um pouco por diversos motivos.

Entre uma conversa e outra, ele me perguntou quais seriam meus planos para o feriado. E, sendo sincero, eu não tinha nenhum. Nem bloco, nem praia, nem viagem. Nada. Foi então que ele soltou o que chamo de uma verdadeira proposta indecente:

“Vou com a família para Miami, de lá a gente pega o nosso barco e vamos velejando até Saint Barths. Vamos parar em algumas ilhas no caminho, tipo Saint Martin. Tá afim?”

Imagina. De nenhum plano para a possibilidade de cruzar o Caribe a bordo de um Swan de 40 pés, à vela, com amigos. Me deu um frio na barriga — daqueles bons.

Em menos de uma semana, resolvi tudo: documentos, vacinas, passaporte e visto americano já estavam em dia. Só faltava organizar a vida por aqui e me jogar no mar.

Pegamos um voo do Rio até Miami. Chegamos no início da noite e dormimos num hotel simples, bem ao lado do aeroporto. A ideia era descansar, porque no dia seguinte já seguiríamos viagem.

De lá, embarcamos rumo a Saint Martin. Um voo rápido, pouco mais de três horas. O pouso já valeu a viagem: o avião raspa por cima da Maho Beach, aquela praia famosa onde os banhistas tiram foto com os aviões passando quase na cabeça e é impressionante mesmo.

O aeroporto Princess Juliana é pequeno, mas impressionante. A pista começa praticamente na areia. Ali mesmo já dava pra sentir que o Caribe tinha um ritmo próprio.

Aproveitamos para conhecer um pouco da ilha. Visitamos a capital Marigot,

o Forte Louis, e demos uma volta pela Front Street, no lado holandês, cheia de lojas duty-free.

Mas o nosso objetivo era outro: a marina. Lá estava o barco — um Swan de 40 pés, elegante e robusto. Nunca tinha estado em um barco assim. Minhas experiências eram com barcos de mergulho simples, como os que já tinha pego para ir até Abrolhos.

Quem nos recebeu foi o Max, o marinheiro francês do grupo. Simpático, carismático, falava um português meio improvisado, mas com energia boa. Ele nos acomodou e explicou: ali não tinha mordomia. Cada um teria uma função. Era time. Por dentro se não ficasse tudo organizado não daria certo, seria uma confusão.

E que time. Além do meu amigo, estavam o irmão, a irmã e os pais dele. Gente que ama o mar. O pai era mergulhador, surfista e praticava caça submarina. Falava de peixes como quem fala de velhos amigos. O restante da família era apaixonado por mergulho. Eu era o mais novato, mas fui recebido com carinho.

Minha função? “Caçar o cabo”. Quando o Pierre gritava, eu girava a manivela que ajustava as velas para o vento. No começo parecia difícil. Depois virou quase automático.

Max também era o chef a bordo. Fazia tudo com simplicidade e sabor. Os banhos eram do lado de fora, cronometrados. O banheiro existia, mas eu, quando podia, usava os da ilha.

Navegamos com o mar calmo e céu limpo até Saint Barths. A chegada parecia cena de filme. Casas com telhados vermelhos, mar azul cristalino, palmeiras. O barco ancorou na baía e descemos de bote.

Na ilha, alugamos um mukemóvel, aquele carrinho que parece de golfe e que de tão leve, a gente levantava com a mão pra estacionar.

Visitamos Gustavia, a capital charmosa, cheia de cafés e iates. Subimos ao Farol de Gustavia,

conhecemos a Anse de Colombier, acessível só de trilha ou barco.

E claro, passamos pelas praias Gouverneur, com águas claras e quase desertas e

Fomos também à praia de nudismo, Anse de Grande Saline. Nunca tinha ido a uma. Lá, era opcional: mulheres de topless, homens pelados andando tranquilos.

Eu, de bermudão, entrei no mar, tirei a roupa, nadei… mas saí com ela rapidinho. Não me senti totalmente à vontade. Mas valeu a experiência.

Entre uma praia e outra, comemos muito bem. A ilha tem ótimos restaurantes — os japoneses me chamaram a atenção. Só uma coisa inusitada: atum era proibido. Disseram que por ali os atuns se alimentam de corais venenosos e podem causar intoxicação. Por precaução, fora do cardápio.

À noite, happy hours em bares animados. Música leve, drinks coloridos, brisa boa. Paz total. Ficamos uma semana, mas parecia um mês.

Ainda vimos Claudia Schiffer caminhando na marina. Fiquei sabendo que o Stallone tem casa ali. Mas o que mais impressionava era a naturalidade. A fama não se exibia. Todo mundo com pé na areia e camiseta velha.

Na volta, velejamos até Saint Martin. De lá, nos despedimos. Meu amigo e a família seguiram para Aspen. Eu voltei pro Rio.

Viagem incrivel, muitas histórias que ainda vou contar por aqui

Eu ainda hoje lembro como se fosse um sonho, surreal.


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