
Pra mim, o mal do século não é novo.
Ele já vem se arrastando há tempos…
Mas agora parece ter atingido um ponto crítico:
A impunidade.
Não falo de política, religião ou ideologia.
Falo de valores. Falo de responsabilidade.
De um senso de consequência que está se perdendo — e com ele, estamos perdendo o senso de limite.
Quando eu era pequeno, existiam regras.
Algumas escritas, outras implícitas.
Mas todas tinham algo em comum: se não cumprisse, tinha consequência.
Às vezes era um castigo, um não, uma bronca firme.
Outras vezes, um simples olhar já bastava pra gente entender que passou do ponto.
A gente cresceu entendendo que nem tudo podia. Que a liberdade vinha junto com responsabilidade.
E que, por mais que achássemos algo injusto, existiam regras maiores que a nossa vontade.
Hoje, o que vejo é um mundo onde tudo pode.
Onde ninguém quer ser contrariado, corrigido ou responsabilizado.
Pais com medo de frustrar os filhos.
Professores desautorizados.
Chefes sem voz.
Gente que erra, machuca, manipula… e segue como se nada tivesse acontecido.
E não, isso não é evolução.
É abandono.
Sem limite, vira vale-tudo.
Sem consequência, vira selva.
Vemos um Brasil sem limites.
Leis que não são cumpridas, regras distorcidas, pesos e medidas que mudam conforme o freguês.
E não importa em que você acredita — certas coisas são óbvias:
Se o carro está parado em local proibido, tem que ser multado.
Se o aluno chega atrasado, precisa levar anotação.
Se o funcionário não cumpre horário, deve ser advertido.
Simples assim.
Hoje o ladrão não rouba apenas objetos.
Rouba a liberdade, o direito de ir e vir.
E o pior: sem qualquer medo da consequência.
Vemos bombas explodirem lá fora e jornais chocados com cem mortes em conflitos.
Mas aqui, mais de 100 brasileiros morrem por dia vítimas da violência.
Em silêncio.
Sem manchete.
Sem revolta.
Qual a solução?
Carro blindado? Ir embora do país?
Ou começar em casa?
Porque, sim, educar os nossos é plantar uma semente.
Mas e as ervas daninhas que já cresceram?
Até quando vamos fingir que elas não sufocam o jardim inteiro?
—
🧭 Sem consequência, não há justiça. Sem justiça, não há paz. E sem paz, não há futuro.
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