Para pensar .... Reflexão

Até quando devemos obrigar nossos filhos a estarem conosco?

Pai, preciso mesmo ir?”

“Vai ser chato?”

“Tem Wi-Fi?”

Essas frases têm se tornado trilha sonora em muitas casas, inclusive na minha. Com filhos adolescentes, qualquer convite para um programa de família – seja um almoço de domingo, uma viagem ou até um simples passeio – parece, muitas vezes, uma missão diplomática.

A verdade é que eles quase sempre vão contrariados. E, ironicamente, quase sempre se divertem depois. Mas esse “quase sempre” não torna o processo menos cansativo. Às vezes, dá vontade de desistir. De deixar que escolham, de não forçar mais. E é aí que surge a pergunta: até quando devemos insistir?

A falsa dicotomia entre liberdade e convivência

Vivemos numa cultura que valoriza cada vez mais a autonomia dos filhos. E isso é ótimo. Mas como lembra Mário Sérgio Cortella, “liberdade não é fazer o que se quer, mas saber por que se faz o que se faz”. Ou seja, educar também é limitar, insistir, puxar junto.

Içami Tiba dizia que “educar dá trabalho, mas desistir dá muito mais”. Obrigar o filho a ir ao almoço da avó pode parecer autoritário, mas pode ser também um gesto de amor e de construção de vínculo. A convivência não nasce espontaneamente: ela precisa de rituais, de rotina, de alguma dose de insistência.

O tempo não volta

Joanna de Ângelis, em suas reflexões sobre família, lembra que “o amor se educa com a presença”. Não com discursos, nem com permissividade. Com presença. Com tempo junto, mesmo que ele comece forçado.

Quantas vezes nossos filhos só percebem o valor de um momento quando ele já passou? Eles ainda não têm a perspectiva do tempo que nós temos. Não sabem que a infância e a adolescência são uma linha curta. Nós sabemos. E talvez por isso o cansaço nos pese mais.

Forçar ou convidar?

Claro, não estou defendendo imposição cega. Como bem diz Roberto Shinyashiki, “a autoridade precisa vir com afeto”. Forçar não é gritar nem ameaçar. É convidar com firmeza. Explicar. Negociar. E, quando for necessário, sim, bater o pé: “hoje você vem com a gente.”

Porque um dia, esse “vir junto” vai deixar de ser possível. Eles terão outros compromissos, outras prioridades. Talvez nem estejam mais na mesma cidade. E quando isso acontecer, o que vai restar é o vínculo que conseguimos manter – mesmo à base de alguma teimosia.

Minha decisão

Tenho pensado muito nisso. Às vezes, canso de ser o chato que insiste. Mas sigo insistindo. Sigo chamando. Sigo dizendo: “você vem, sim.” Porque sei que ali, no meio do mau humor inicial e da cara fechada, ainda está o espaço da construção. Do afeto que resiste. E da memória que um dia vai fazer falta.


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